EDITORIAL

João Micael

Director

A Matriz Portuguesa - Associação para o Desenvolvimento da Cultura e do Conhecimento acredita na capacidade da Cultura em providenciar a sua própria subsistência, sem recorrer ao mero aluguer de espaços do Património Nacional, mas, apoiando-se na consciencialização da Sociedade Civil sobre a sua própria responsabilidade e dever em defender, dignificar e prover à sua salvaguarda e recuperação.

O Estado Português não pode e não consegue, nem está, na maior parte dos ciclos políticos, sensibilizado e verdadeiramente consciente do valor intangível inestimável e da memória colectiva indispensável que o Património representa para a estabilidade e credibilidade internacional de uma Nação e que a Cultura é, a par das Ciências, um produto identitário no qual é imprescindível investir acertada e continuadamente; e, jamais ser considerada como uma superficialidade ou um simples entretenimento popular para a obtenção rápida e fácil de popularidade e votos.

A Cultura é o todo que combina o Conhecimento e a Educação dos Povos, e que dita, ou é ditada, segundo a evolução dos tempos. É, portanto, um reflexo da sofisticação de uma Sociedade.

É confrangedor observar o Orçamento de Estado ser desbaratado em fúteis ou financiamentos em veleidades de favoritos ou por modismos condicionados por voláteis novidades do momento - Panis et Circencis, sendo concedidos parcos apoios aos projectos merecedores.

Cabe à Sociedade Civil exigir ao Estado o respeito devido à Cultura e Património Nacionais, uma lei de Mecenato mais atractiva e conceder ao meio empresarial as mesmas condições como os das entidades sem fins lucrativos, para prover ao seu apoio e investimento cultural, como reintegração parcial dos seus proventos na sociedade onde coexiste; e, deve, sobretudo, co-responsabilizar-se criando as suas próprias iniciativas e movimentos de apoio e angariação de fundos no seu seio para a sua defesa e manutenção.

A Matriz Portuguesa - Associação para o Desenvolvimento da Cultura e do Conhecimento, assumiu desde a sua fundação este posicionamento, concebendo e organizando programas culturais-solidários, com o apoio da revista Portugal Protocolo na sua divulgação - "Palácio no Hospital...Um olhar para a Arte", "Ceia musical no museu...", cuja receita de bilheteira reverte para a recuperação do Património, "Exposição Solidária de Artes Decorativas", com angariação de fundos recorrendo à Arte; e organização de comitivas diplomáticas para visitas em Portugal, logrando o contacto mais directo e personalizado de entidades estrangeiras com os meios culturais e empresariais nacionais.