EDITORIAL

João Micael

Director

UM NOVO MUNDO

O ano de 2020 anunciava-se pleno de comemorações festivas preconizadas pelo 10.º Aniversário da Fundação do Prémio Femina, entre outras realizações culturais e institucionais da Matriz Portuguesa no estrangeiro. E, eis que se abate, com força inaudita, uma catástrofe sobre o Mundo - a Pandemia da Covid - 19

Considerações aparte que possam merecer a reflexão dos Portugueses sobre o papel do Estado na sua defesa e protecção, esta peste do século XXI, veio, indubitavelmente, testar as Sociedades Humanas, a Portuguesa em particular, no que refere à sua resiliência, à resposta perante o perigo da Vida Humana e mais importante como será ultrapassado esse tremendo teste. 

Os Portugueses demonstraram inequivocamente a sua fibra quando exigiram ao Estado atempadas respostas e acções concretas, dando como garantia para o efeito necessário a sua abnegada e total contribuição. 

Mas, os Portugueses fizeram algo mais. Quando se encontraram isolados socialmente, prosseguiram exemplar e rigorosamente na sua esmagadora maioria as suas vidas, trabalhando e socializando, utilizando de forma criativa as novas ferramentas tecnológicas ao seu dispor. E, principalmente, exacerbaram o seu imaginário criativo e colectivo com manifestações artísticas, solidárias ou outras, exploraram novos interesses culturais e de estudo, que foram disponibilizados pelos principais canais da Cultura Nacional - museus, galerias, etc. 

Abriu-se, assim, o caminho para uma nova realidade perante a Cultura, o Património e o Conhecimento que se adivinha no período pós-pandémico. 

É uma das mais surpreendentes adaptações em tempo de crise profunda onde se cultivam novos horizontes e buscam respostas mais criativas e inovadoras, e que provocará, certamente, alterações significativas na Sociedade Civil. 

O meio empresarial pode - e deve -, abstrair daqui importantes conclusões sobre a nova percepção dos públicos perante a realidade e a sociedade, que o meio digital e virtual é realmente um Novo Mundo, que devidamente incentivado pelo Estado com uma Lei do Mecenato mais atractiva e impulsionadora do que a existente, abre portas a novas e mais excitantes propostas da criatividade humana ao serviço da Cultura, da Ciência, das Artes, do Mercado - da Humanidade em geral.