ENTREVISTA

Helena Carvalho Pereira, soprano

Estudou com o Maestro Artur Carneiro da Fundação Calouste Gulbenkian, com Margarida Marecos e José Manuel Araújo. Estudou no Conservatório com Ana Paula Russo, Laryssa Savchenko, Teresita Gutierrez, André Barroso e Daniel Schvetz. Já trabalhou com os Maestros João Paulo Santos, Jorge Carvalho Alves, Nuno Margarido Lopes e com as sopranos Elisabete de Matos, Jill Feldman e com a pianista e professora de canto Enza Ferrari (correpetidora habitual da soprano Maria Callas). Interpreta reportório de Canto com Órgão, para ajudar na divulgação do órgão ibérico, Património ímpar, com características únicas que o diferem dos restantes órgãos mundiais. Faz habitualmente Recitais de Música Clássica por todo o País e nunca se coibindo de participar nos eventos da vida social, abrilhantando um casamento, um baptizado, umas bodas de ouro, uns anos de casados, um evento de beneficência, o evento duma Empresa ou tornando mais bonita, leve e suave a partida dum ente querido. 

...quem me levou para o canto foi a voz de Freddie Mercury.

O Principal objectivo do Sintra Estúdio de Ópera é homenagear a nossa Música Portuguesa Antiga.

Como descobriu a paixão pela Música e o Bel Canto?
Sempre fui apaixonada pela música. Os meus pais ouviam muito Música Clássica e as músicas da sua época, Amália, Simone de Oliveira, Zeca Afonso, Paulo de Carvalho, Teresa Tarouca, etc. Sempre adorei a voz da Amália, mesmo não sendo o Fado uma coisa de miúdos... Mas, quem me levou para o canto foi a voz de Freddie Mercury. Foi enfeitiçada pela voz dele e pelo estilo de música que eles (Queen) faziam, que comecei a cantar. Depois quando me quis aproximar mais do canto entrei no Coro Sinfónico Lisboa Cantat (onde fui presidente durante dez anos) e quando quis que o Canto fosse algo mais sério e consistente na minha vida, fui trabalhar com professores de Canto e aí sim, descobri o Canto da "Alta Competição", os melhores Compositores do Mundo e as árias mais difíceis e nessa atmosfera é impossível não nos apaixonarmos. 

"Ceia musical no museu..."... "concerto comentado" vem preencher essa lacuna e oferecer ao público um espectáculo muito mais completo.

Integra a direcção do Sintra Estúdio de Ópera. Qual é o principal objectivo dessa instituição?
O Principal objectivo do Sintra Estúdio de Ópera é homenagear a nossa Música Portuguesa Antiga, resgatando do esquecimento os grandes compositores Portugueses, maioritariamente dos séculos XVlll e XlX, mas não só. Nomes como Júlio António Avelino Soares, João Cordeiro da Silva, Pedro António Avondano, Jerónimo Francisco de Lima, Sá Noronha, António José da Silva, Luciano Xavier dos Santos e Braz de Lima, só para mencionar alguns dos nossos "Grandes", cujas obras ainda "jazem" nas principais bibliotecas nacionais à espera de serem ouvidas novamente. É devolver a nossa identidade cultural e a genialidade dos Portugueses do Passado aos Portugueses do Presente. Felizmente, a Antena 2 já percebeu isso há bastante tempo e tem gravado todos os nossos concertos de estreia moderna. O nosso papel é fazer aquilo que o Estado deve, mas não sabe fazer, porque é um trabalho muito qualificado, muito técnico e muito específico, que só um músico especializado saberá fazer, para isso o Sintra Estúdio de Ópera conta com a genialidade musical do Maestro Miguel Anastácio, presidente da nossa associação, com a minha ajuda na sua divulgação e na vertente orquestra podemos contar também com a orientação do exímio violoncelista Abel Gomes, que também faz parte da nossa Direcção prestando um excelente trabalho. 


Foi convidada, na qualidade de solista, acompanhada ao piano por Francisco Sassetti, para a "Ceia musical no museu...", uma iniciativa cultural-solidária da Matriz Portuguesa - Associação para o Desenvolvimento da Cultura e do Conhecimento, em parceria com a Antena 2. O que a atraiu nesse programa inédito?    

O que me atraiu neste programa, para além do enorme prestígio que é trabalhar com a Antena 2, que sempre foi uma referência a nível nacional no que concerne a programas e a música de altíssima qualidade no âmbito da erudição, foi o facto de poder com o meu trabalho ajudar na recuperação do nosso património que amo de paixão. A minha primeira formação foi uma licenciatura na vertente de turismo como guia-intérprete, tive professores excelentes, um deles chegou a ser conservador do Museu Nacional de Arte Antiga, o Prof. Sérgio Andrade, na disciplina de História de Arte, e cultivaram em nós de forma indelével a paixão pelo Património Nacional. Foi isso que me atraiu neste convite. Depois, a razão de eu ter escolhido o formato "Concerto Comentado" prende-se com o facto de ser desde sempre uma pessoa que gosta de partilhar. Não me satisfaz uma pessoa ouvir uma ária que eu cante em Alemão, por exemplo, se sei que não estou a passar a mensagem e que o publico não está a entender e a vibrar com todo o conteúdo da mensagem, apenas aprecia a música e a voz, mas não consegue apreciar o poema, a mensagem nele contida, pois não domina as várias línguas em que se cantam normalmente as árias, daí surgir o "Concerto Comentado" que vem preencher essa lacuna e oferecer ao público um espectáculo muito mais completo. Deste modo sei que venho oferecer um espectáculo que é um "Todo" e não apenas... uma 'Parte' e o público vai estar presente de forma inteira, de corpo e alma, não apenas a apreciar a beleza do som e da voz, mas vai também entender e apreciar toda a riqueza do conteúdo poético ou narrativo. 

Texto | João Micael

Fotografias | Portugal Protocolo, na Casa-Museu da Fundação António Medeiros e Almeida, Lisboa

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